Formigamento e dormência na mão costumam ser associados ao punho, mas nem sempre o problema está ali. Quando a sensação atinge principalmente o dedo mínimo e a metade do dedo anelar — e piora com o cotovelo dobrado —, a origem provável é a compressão do nervo ulnar no cotovelo, conhecida como síndrome do túnel cubital.

Por que o cotovelo causa formigamento na mão?

O nervo ulnar percorre todo o braço e passa por um túnel estreito na parte interna do cotovelo, logo atrás daquele ponto que dá um "choque" quando batemos o cotovelo. Nesse trajeto, ele fica próximo à pele e ao osso, com pouca proteção. Ao dobrar o cotovelo, o nervo é esticado e comprimido — por isso os sintomas costumam surgir ou piorar em situações comuns do dia a dia:

  • Falar ao celular por muito tempo com o braço flexionado;
  • Dormir com o braço dobrado embaixo do travesseiro ou da cabeça;
  • Apoiar o cotovelo na mesa, no braço da poltrona ou na janela do carro;
  • Movimentos repetitivos de flexão do cotovelo, inclusive na musculação.

Qual a diferença para o túnel do carpo?

É comum confundir as duas condições, mas elas envolvem nervos e dedos diferentes. No túnel do carpo, o nervo comprimido é o mediano, no punho, e o formigamento atinge o polegar, o indicador e o dedo médio. Já na síndrome do túnel cubital, o nervo é o ulnar, comprimido no cotovelo, e a dormência se concentra no dedo mínimo e no anelar. Reparar em quais dedos formigam ajuda muito a localizar a origem do problema.

Sinais de alerta e diagnóstico

No início, o formigamento vai e volta. Com o tempo, pode se tornar constante e vir acompanhado de fraqueza para segurar objetos, dificuldade em movimentos finos — como abotoar a camisa ou virar uma chave — e, nos casos mais avançados, perda de massa muscular na mão. A dor na parte interna do cotovelo às vezes se confunde com a epicondilite medial, mas o formigamento nos dedos aponta para o nervo.

Formigamento que persiste por semanas, piora à noite ou já vem acompanhado de fraqueza da mão merece avaliação. Em geral, quanto antes o nervo é liberado, menor o risco de sequela.

O diagnóstico começa pelo exame clínico, com testes que reproduzem os sintomas e avaliam a força e a sensibilidade da mão. Quando é preciso confirmar o local e a intensidade da compressão, ou diferenciar de outras causas, pede-se a eletroneuromiografia, exame que mede a condução elétrica do nervo. Fraturas e traumas antigos do cotovelo também podem comprometer o nervo ao longo do tempo — veja fraturas do cotovelo.

Como é o tratamento?

A maioria dos casos iniciais melhora sem cirurgia. O foco do tratamento conservador é reduzir a pressão sobre o nervo:

  • Evitar manter o cotovelo dobrado por longos períodos;
  • Usar uma órtese noturna que mantém o cotovelo esticado durante o sono;
  • Ajustar a postura no trabalho e não apoiar o cotovelo em superfícies duras;
  • Fisioterapia com exercícios de deslizamento do nervo e alongamento.

Nos casos que não melhoram com essas medidas, ou que já apresentam fraqueza e atrofia, o tratamento cirúrgico libera o nervo e, quando necessário, o reposiciona à frente do cotovelo, em uma posição mais protegida. O resultado depende bastante de quanto tempo o nervo ficou comprimido, o que reforça a importância de procurar avaliação cedo, sem esperar o quadro avançar.