A epicondilite lateral, popularmente chamada de cotovelo do tenista, é uma tendinopatia dos tendões que estendem o punho, na sua origem no epicôndilo lateral — a proeminência óssea na parte de fora do cotovelo. O tendão mais envolvido é o do extensor radial curto do carpo (ECRB). Apesar do apelido, ela não é exclusiva de tenistas: a maioria das pessoas afetadas nunca pisou em uma quadra. É muito comum em quem digita por longas horas, carrega peso, usa ferramentas manuais ou faz movimentos repetitivos com o punho no trabalho e nas tarefas domésticas.

Sintomas mais comuns

  • Dor na face lateral (parte de fora) do cotovelo, que pode irradiar para o antebraço;
  • Dor ao segurar objetos — uma xícara, uma garrafa, uma sacola de compras;
  • Dor ao apertar a mão de alguém ou ao girar uma maçaneta;
  • Sensação de perda de força de preensão nas atividades do dia a dia;
  • Ponto doloroso bem localizado ao apertar sobre o epicôndilo lateral.

Por que a dor aparece — mesmo sem tênis?

O problema não é uma inflamação simples, e sim um processo de sobrecarga e degeneração do tendão. Cada vez que seguramos ou levantamos algo com o punho estendido, os extensores trabalham — e, quando a demanda repetitiva supera a capacidade de recuperação do tendão, surgem microlesões na sua origem no osso. Com o tempo, o tecido perde qualidade e passa a doer sob cargas cada vez menores. Por isso a epicondilite lateral acomete tanto quem trabalha com as mãos quanto quem passa o dia ao computador.

A boa notícia: na maioria das pessoas, a epicondilite lateral tem curso autolimitado — tende a melhorar ao longo de meses com orientação adequada, ajuste de carga e fisioterapia, sem necessidade de cirurgia.

Diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico: a história típica e o exame físico, com testes que reproduzem a dor na extensão resistida do punho e dos dedos, costumam ser suficientes. A ultrassonografia ou a ressonância magnética ficam reservadas para os casos de dúvida, dor fora do padrão habitual ou falha do tratamento. Faz parte da avaliação diferenciar outras causas de dor no cotovelo: quando a dor é na face interna, o quadro sugere a epicondilite medial (cotovelo do golfista); dor na frente do cotovelo com fraqueza para dobrar o braço e virar a palma para cima levanta a suspeita de lesão do bíceps distal.

Tratamento

Tratamento conservador

É o caminho para a grande maioria dos pacientes. Começa com educação e ajuste de carga: entender quais gestos sobrecarregam o tendão e adaptá-los — sem parar tudo, pois o repouso absoluto atrasa a recuperação. O pilar do tratamento é a fisioterapia com fortalecimento excêntrico dos extensores do punho, que estimula o tendão a se reorganizar e ganhar capacidade de carga. A órtese de contra-força, usada logo abaixo do cotovelo, ajuda a aliviar a dor durante as atividades, e a analgesia com medicação é usada nos períodos de crise. As infiltrações de corticoide devem ser indicadas com critério: proporcionam alívio de curta duração, mas não mudam a evolução da doença e, repetidas, podem prejudicar o tendão. As ondas de choque são uma opção em casos selecionados que não respondem à reabilitação inicial.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia é reservada para a minoria: pacientes com dor persistente e limitante após 6 a 12 meses de tratamento conservador bem conduzido. O procedimento é o desbridamento — a remoção do tecido degenerado na origem do ECRB —, realizado por via aberta ou artroscópica, ambas com bons resultados quando a indicação é correta.

Recuperação

No tratamento conservador, a melhora é gradual: em geral leva semanas a meses, e a persistência nos exercícios faz diferença no resultado. Após a cirurgia, o movimento do cotovelo é liberado precocemente, o fortalecimento progride ao longo das semanas seguintes e o retorno às atividades de força e ao esporte acontece, na maior parte dos casos, em poucos meses, conforme a evolução de cada paciente.