O manguito rotador é o conjunto de quatro tendões que envolve a cabeça do úmero e faz o ombro girar e elevar o braço com força e precisão. Quando um desses tendões inflama, desgasta ou rompe, aparecem a dor — típica à noite e ao elevar o braço — e a perda de força. É uma das causas mais comuns de dor no ombro no adulto, especialmente após os 40 anos.

Sintomas mais comuns

  • Dor na face lateral do ombro, que pode irradiar para o braço;
  • Dor à noite, que atrapalha o sono ao deitar sobre o lado afetado;
  • Fraqueza para levantar o braço, pentear o cabelo ou pegar objetos no alto;
  • Estalos e sensação de "areia" ao mover o ombro;
  • Nas roturas grandes, dificuldade importante para elevar o braço.

Por que a lesão acontece?

Existem dois mecanismos principais. O desgaste degenerativo, mais comum, resulta do envelhecimento natural do tendão somado a fatores como o formato do acrômio, movimentos repetitivos acima da cabeça e tabagismo. Já a lesão traumática ocorre após queda sobre o braço ou esforço brusco — e merece atenção especial, pois costuma ter melhor resultado quando reparada precocemente.

Dor no ombro que dura mais de algumas semanas, ou fraqueza súbita após um trauma, deve ser avaliada por especialista. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais opções de tratamento.

Diagnóstico

A consulta começa com a história e o exame físico, com testes específicos para cada tendão. A radiografia avalia o osso e o espaço da articulação; a ressonância magnética confirma a lesão, mostra se ela é parcial ou completa, o seu tamanho, a retração do tendão e a qualidade do músculo — informações que definem a conduta.

Tratamento

Tratamento conservador

É o ponto de partida na maioria das lesões degenerativas e parciais: medicação para dor, ajuste de atividades e fisioterapia focada em fortalecer o manguito e a escápula. Em casos selecionados, a infiltração guiada ajuda a controlar a dor para o paciente evoluir na reabilitação. A melhora costuma ocorrer ao longo de 3 a 6 meses.

Tratamento cirúrgico

Indicado nas roturas completas traumáticas, nas lesões que não melhoram com reabilitação bem feita e nos pacientes ativos com perda de força. O reparo artroscópico reinsere o tendão no osso com âncoras, por pequenos cortes e com visão direta da articulação. Nas lesões muito extensas e crônicas, existem alternativas como transferências tendinosas e a prótese reversa do ombro.

Recuperação

Depois do reparo, o tendão precisa de proteção para cicatrizar no osso: tipoia por cerca de 4 a 6 semanas e fisioterapia em fases — primeiro movimento, depois força. O retorno às atividades leves é precoce; ao esporte e ao trabalho pesado, em geral entre 4 e 6 meses. O resultado depende do tamanho da lesão, da qualidade do tendão e da dedicação à reabilitação.