A prótese do ombro, ou artroplastia, é a cirurgia que substitui as superfícies articulares desgastadas ou destruídas por implantes, devolvendo ao ombro uma articulação lisa e estável. É indicada quando a dor e a limitação são importantes e não melhoram com o tratamento conservador bem conduzido — medicação, fisioterapia e ajustes de atividade. Para a maioria dos pacientes, o resultado é um alívio consistente da dor e um ganho funcional relevante no dia a dia.
Quando a prótese é indicada?
- Artrose do ombro avançada, com dor diária e perda progressiva de movimento;
- Artropatia do manguito rotador — o desgaste da articulação causado por lesões extensas e irreparáveis do manguito;
- Fraturas complexas do ombro no paciente idoso, quando a reconstrução do osso não é viável;
- Sequelas de fraturas, necrose da cabeça do úmero e artrites inflamatórias;
- Revisão de próteses ou de cirurgias prévias que não evoluíram bem.
Prótese anatômica ou reversa?
Prótese anatômica
Reproduz o formato original da articulação: uma esfera metálica substitui a cabeça do úmero e um componente recobre a glenoide (a "taça" da escápula). É a escolha clássica para a artrose com o manguito rotador íntegro, pois depende desses tendões para mover e centrar a articulação. Quando bem indicada, oferece excelente alívio da dor e boa amplitude de movimento.
Prótese reversa
Inverte a geometria do ombro: a esfera passa a ficar na escápula e a superfície côncava, no úmero. Essa configuração permite que o músculo deltoide assuma a elevação do braço, dispensando o manguito. Por isso é a opção preferida na artropatia do manguito, nas lesões tendinosas irreparáveis, nas fraturas complexas do idoso e nas cirurgias de revisão.
A escolha entre prótese anatômica e reversa não é uma questão de "melhor ou pior", e sim de indicação correta: depende do estado do manguito rotador, da qualidade do osso e das necessidades de cada paciente. Essa decisão — e a execução técnica — é o papel do especialista em ombro.
Como é a cirurgia?
A artroplastia do ombro é realizada em ambiente hospitalar, geralmente com anestesia geral associada ao bloqueio do plexo braquial, que ajuda muito no controle da dor. O planejamento é individualizado, com exames de imagem que orientam o posicionamento dos componentes. A internação costuma ser curta — em geral um a dois dias — e o paciente sai do hospital com tipoia e orientações claras para as primeiras semanas.
Recuperação em fases
A reabilitação é progressiva e acompanha a cicatrização dos tecidos: primeiro a fase de proteção, com tipoia e exercícios suaves; depois o ganho de movimento assistido pela fisioterapia; por fim, o fortalecimento e o retorno gradual às atividades. Tarefas leves do cotidiano voltam nas primeiras semanas, e a evolução continua ao longo de alguns meses. O ritmo varia conforme o tipo de prótese, a condição prévia dos músculos e a dedicação à fisioterapia.
O que esperar do resultado
O objetivo central da prótese é tirar a dor — e nisso ela é bastante consistente — e devolver função para vestir-se, dirigir, trabalhar e dormir bem. O ganho de movimento é relevante, mas a expectativa deve ser realista: um ombro funcional e confortável, não um ombro "novo" de fábrica. Quanto à durabilidade, os implantes modernos e as técnicas atuais permitem que a maioria das próteses funcione bem por muitos anos; o acompanhamento periódico com o cirurgião ajuda a preservar esse resultado.