A artrose do ombro é o desgaste progressivo da cartilagem que reveste as articulações. No ombro, duas articulações podem ser acometidas: a glenoumeral — entre a cabeça do úmero e a glenoide, responsável pelo grande arco de movimento do braço — e a acromioclavicular (AC), no topo do ombro, entre a clavícula e o acrômio. À medida que a cartilagem se desgasta, o osso passa a atritar contra o osso, e surgem dor, rigidez e perda de função.
Sintomas mais comuns
- Dor profunda no ombro, que piora com o uso e pode incomodar também à noite;
- Rigidez e perda progressiva do movimento, dificultando vestir-se, alcançar o alto ou as costas;
- Crepitação: estalos e sensação de atrito ao mover o braço;
- Na artrose acromioclavicular, dor localizada no topo do ombro, que piora ao cruzar o braço sobre o corpo;
- Evolução lenta e progressiva, com períodos de crise e de melhora parcial.
Por que a artrose acontece?
O envelhecimento natural da cartilagem é a causa mais frequente, mas o desgaste pode ser acelerado por fatores mecânicos. Entre os principais estão as sequelas de fratura do ombro, que alteram a anatomia da articulação; os episódios repetidos de luxação; e as lesões extensas e crônicas do manguito rotador — quando os tendões deixam de centralizar a cabeça do úmero, o desgaste assume um padrão próprio, chamado artropatia do manguito. Já a artrose da articulação acromioclavicular é comum em quem acumulou anos de trabalho braçal ou de esporte com carga, como a musculação.
Dor no ombro acompanhada de rigidez que avança ao longo de meses merece avaliação especializada. Identificar a causa do desgaste cedo amplia as opções de tratamento e ajuda a preservar a função.
Diagnóstico
A avaliação começa pela história e pelo exame físico, que ajudam a diferenciar a dor da articulação glenoumeral da dor localizada na AC. A radiografia é, em geral, suficiente para confirmar a artrose: mostra a diminuição do espaço articular, os osteófitos ("bicos de papagaio") e as alterações do osso. A tomografia e a ressonância magnética entram no planejamento — avaliam o estoque ósseo da glenoide e a condição do manguito rotador, informações decisivas na escolha do tratamento cirúrgico.
Tratamento
Tratamento conservador
É o ponto de partida na maioria dos casos. Envolve a adaptação das atividades que desencadeiam a dor, analgesia orientada pelo médico e fisioterapia para preservar o movimento e fortalecer a musculatura que protege a articulação. Em casos selecionados, a infiltração ajuda a controlar a dor por períodos variáveis, facilitando a reabilitação. A artrose não regride, mas muitos pacientes convivem bem com ela por anos quando o tratamento é bem conduzido.
Tratamento cirúrgico
Quando a dor e a limitação persistem apesar do tratamento conservador, a cirurgia é considerada — e a técnica depende da articulação acometida. Na artrose acromioclavicular, a ressecção artroscópica da clavícula distal remove uma pequena porção da extremidade da clavícula por meio de pequenos portais, eliminando o atrito entre os ossos. Na artrose glenoumeral avançada, a solução costuma ser a prótese do ombro: a anatômica, quando o manguito rotador está íntegro, ou a reversa, quando os tendões estão insuficientes — como na artropatia do manguito.
O que esperar do tratamento
O objetivo, em todas as fases, é aliviar a dor e devolver função. A maioria dos pacientes obtém bom controle dos sintomas com as medidas conservadoras. Quando a prótese é indicada, ela costuma proporcionar alívio importante da dor e melhora do movimento, com reabilitação progressiva orientada pela equipe. Cada caso é único: a decisão leva em conta a idade, o nível de atividade, os achados de imagem e as expectativas do paciente.