As fraturas do ombro mais frequentes acometem dois ossos: a clavícula e a parte superior do úmero, o úmero proximal. A fratura da clavícula é típica de quedas sobre o ombro — comuns em acidentes de bicicleta e moto — e atinge com frequência jovens e esportistas. Já a fratura do úmero proximal tem dois perfis: no jovem, resulta de traumas de maior energia; no idoso, uma queda simples da própria altura pode ser suficiente, especialmente quando há osteoporose.
Sinais de que houve fratura
- Dor intensa e imediata após a queda ou o trauma;
- Inchaço e, nos dias seguintes, manchas roxas no ombro e no braço;
- Deformidade visível ou "degrau" sobre a clavícula;
- Incapacidade de levantar o braço ou de sustentá-lo sem apoio;
- Crepitação (sensação de atrito) ao tentar mover o ombro.
Atendimento de urgência e avaliação especializada
Diante desses sinais, o ideal é procurar atendimento de urgência: a radiografia confirma a fratura e mostra o desvio dos fragmentos; em fraturas mais complexas do úmero proximal, a tomografia ajuda a planejar o tratamento. O Dr. Luiz Gustavo Estephanelli coordena equipe de ortopedia no Hospital São Luiz Itaim e atende urgências ortopédicas do ombro e do cotovelo — o que permite conduzir o caso do pronto-socorro à reabilitação com o mesmo time.
Nem toda fratura do ombro precisa de cirurgia — mas toda fratura merece avaliação especializada precoce. A decisão certa nos primeiros dias faz diferença no resultado final.
Tratamento
Quando é possível tratar sem cirurgia
Muitas fraturas do ombro consolidam bem com tratamento conservador: tipoia para conforto e proteção, controle da dor e reabilitação precoce guiada, com movimentos suaves iniciados nas primeiras semanas. É o caminho habitual nas fraturas de clavícula sem desvio importante e nas fraturas do úmero proximal pouco desviadas. O acompanhamento com radiografias seriadas permite verificar se os fragmentos permanecem em boa posição durante a consolidação.
Quando a cirurgia é indicada
A cirurgia entra em cena quando há desvio significativo dos fragmentos, encurtamento ou fragmentação da clavícula, fratura exposta, lesões associadas ou paciente de alta demanda funcional, como esportistas e trabalhadores braçais. As técnicas mais usadas são a fixação com placas e parafusos e, em alguns padrões de fratura do úmero, as hastes intramedulares — sempre com o objetivo de restaurar o alinhamento e permitir reabilitação mais cedo. Princípios semelhantes orientam o tratamento das fraturas do cotovelo, outra urgência frequente do membro superior.
Prótese reversa no idoso
Nas fraturas cominutivas do úmero proximal do idoso — quando o osso se quebra em múltiplos fragmentos e a fixação se torna pouco confiável —, a prótese reversa do ombro pode ser a melhor opção. Ela substitui a articulação lesada e utiliza o músculo deltoide para movimentar o braço, permitindo alívio da dor e recuperação funcional mais previsível nesse grupo de pacientes.
Recuperação e o risco de rigidez
O ombro é uma articulação que "congela" com facilidade quando fica imobilizada por tempo excessivo — um quadro conhecido como capsulite adesiva. Por isso, a fisioterapia é parte central do tratamento, operado ou não: primeiro movimentos pendulares e passivos, depois ganho de amplitude e, por fim, fortalecimento. Na maioria dos casos, as atividades leves do dia a dia retornam de forma progressiva ao longo das primeiras semanas, e o retorno ao esporte e ao trabalho pesado é liberado conforme a consolidação e a recuperação da força.