A epicondilite medial, conhecida como cotovelo do golfista, é a tendinopatia dos músculos flexores do punho e do pronador na sua origem, no epicôndilo medial — a proeminência óssea da face interna do cotovelo. Apesar do apelido, ela não é exclusiva do golfe: aparece em esportes de arremesso, na musculação e, com muita frequência, no trabalho manual repetitivo, como carregar peso, apertar ferramentas e digitar por longos períodos. É menos comum que a epicondilite lateral (cotovelo do tenista), mas segue a mesma lógica: um tendão sobrecarregado que perde a capacidade de se recuperar entre os esforços.
Sintomas mais comuns
- Dor na face interna do cotovelo, sobre o epicôndilo medial, que pode descer pelo antebraço;
- Piora ao flexionar o punho, girar o antebraço e segurar ou levantar peso;
- Dor ao apertar a mão, carregar sacolas ou usar ferramentas;
- Sensação de perda de força de preensão nas atividades do dia a dia;
- Em parte dos casos, formigamento no dedo anelar e no dedo mínimo.
Por que a dor aparece?
Os tendões flexores e pronadores trabalham toda vez que fechamos a mão com força, viramos o antebraço ou seguramos algo pesado. Quando o volume ou a intensidade do esforço aumenta mais rápido do que o tendão consegue se adaptar — uma nova rotina de treino, uma mudança de função no trabalho, uma reforma em casa —, surgem microlesões na origem do tendão, que degeneram e passam a doer. Por isso a epicondilite medial é considerada uma tendinopatia por sobrecarga, e não uma simples inflamação passageira.
Dor na parte interna do cotovelo que persiste por mais de algumas semanas, ou que vem acompanhada de formigamento nos dedos, merece avaliação com especialista em cotovelo.
E o formigamento nos dedos?
Logo atrás do epicôndilo medial passa o nervo ulnar, responsável pela sensibilidade do dedo anelar e do dedo mínimo. Em uma parcela dos pacientes com epicondilite medial, esse nervo também é irritado, causando formigamento ou choques no 4º e no 5º dedos, principalmente ao manter o cotovelo dobrado. Essa associação é importante: ela muda o exame físico, pode pedir exames complementares e influencia a escolha do tratamento — mais um motivo para a avaliação ser feita por quem trata cotovelo todos os dias.
Diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico: a história de sobrecarga, a dor localizada à palpação do epicôndilo medial e a piora com a flexão do punho contra resistência costumam ser suficientes. Exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética, ajudam nos casos de dúvida, quando os sintomas persistem ou quando é preciso afastar outras causas de dor na face interna do cotovelo, como lesões ligamentares e alterações do nervo ulnar.
Tratamento
Tratamento conservador
Assim como na epicondilite lateral, o tratamento começa sem cirurgia — e resolve a grande maioria dos casos. Os pilares são o ajuste de carga (identificar e modificar o gesto que sobrecarrega o tendão, sem imobilizar por completo), a fisioterapia com exercícios excêntricos de fortalecimento progressivo dos flexores, o uso de órtese em situações específicas e a analgesia para as fases de dor mais intensa. A infiltração pode ser considerada de forma criteriosa, em casos selecionados, como ferramenta para permitir a evolução da reabilitação — nunca como solução isolada.
Tratamento cirúrgico
A cirurgia é rara e fica reservada aos casos refratários, que permanecem com dor limitante após um período prolongado de tratamento conservador bem conduzido. O procedimento remove o tecido degenerado da origem dos flexores e, quando há sintomas associados do nervo ulnar, ele pode ser abordado no mesmo tempo cirúrgico.
Recuperação
A melhora da epicondilite medial costuma ser gradual: o tendão precisa de tempo e de estímulo adequado para se reorganizar. Em geral, os pacientes evoluem bem ao longo de semanas a meses, retomando primeiro as atividades leves e depois, de forma progressiva, o esporte e o trabalho pesado. Manter o fortalecimento mesmo após o fim da dor é a melhor forma de evitar recidivas. Vale lembrar que nem toda dor de esforço no cotovelo é epicondilite — dor na dobra anterior ao levantar peso, por exemplo, pode indicar lesão do tendão distal do bíceps, e dor após trauma exige avaliar fraturas do cotovelo.