Quando o ombro sai do lugar, a dor é forte, o braço fica preso em uma posição estranha e o contorno do ombro muda. É a luxação do ombro, que muita gente chama de "luxação no braço" ou "luxei o braço". Este guia mostra o que fazer na hora, como costumam ser as semanas seguintes e quais sinais indicam que a luxação deixou uma lesão que precisa de atenção.
Na hora: o que fazer e o que não fazer
- Não tente colocar o ombro no lugar, nem deixe alguém puxar o braço. Sem radiografia, não dá para saber se existe fratura junto, e a manobra errada pode piorar a lesão;
- Apoie o braço junto ao corpo, na posição mais confortável, com uma tipoia improvisada, um lenço ou a outra mão;
- Gelo por cima da roupa ajuda na dor enquanto você se desloca;
- Vá a um pronto-socorro com ortopedia. Lá é feita a radiografia antes da redução, a recolocação com analgesia e uma nova radiografia para confirmar que o ombro voltou ao lugar;
- Não coma nem beba até a avaliação, caso a redução precise de sedação.
Se o ombro saiu e voltou sozinho, provavelmente foi uma subluxação. A urgência é menor, mas o episódio não deve ser ignorado: a subluxação também lesa as estruturas que seguram o ombro e costuma se repetir.
Depois da redução: as primeiras semanas
- Tipoia por um período curto, em geral poucas semanas e mais pelo conforto. Ficar muito tempo imobilizado não impede uma nova luxação e deixa o ombro rígido;
- Dor: a fase mais dolorida dura alguns dias. Analgésico e gelo, conforme a orientação médica, costumam bastar;
- Para dormir: recostado, com o braço apoiado em um travesseiro, é a posição mais confortável no começo;
- Movimento: mão, punho e cotovelo devem se mexer desde o início. O ombro volta a ganhar movimento aos poucos, com a fisioterapia;
- Evite a posição em que o ombro saiu (braço aberto e girado para trás, como no arremesso) até a liberação.
Quanto tempo dura a recuperação de uma luxação
Sem cirurgia, a maior parte das pessoas volta às atividades do dia a dia e ao trabalho de escritório em poucas semanas. Dirigir só depois de sair da tipoia e ter controle total do braço. O retorno ao esporte depende de recuperar o movimento, a força e a confiança no ombro, e costuma levar de 2 a 3 meses. Nos esportes de contato e de arremesso a liberação é mais criteriosa. Quando a luxação é tratada com cirurgia, o tempo é outro: o retorno ao esporte fica, em geral, entre 4 e 6 meses.
O que a luxação pode deixar para trás, conforme a idade
A luxação raramente afeta só a posição do osso. O tipo de lesão que ela deixa muda bastante com a idade, e é isso que define o acompanhamento.
Jovens e esportistas: o risco é voltar a sair
Abaixo dos 25 anos, e sobretudo em quem pratica esporte de contato ou de arremesso, a luxação costuma descolar o labrum da frente da glenoide (a lesão de Bankart). Nesse grupo, o ombro volta a sair com frequência, e a cada episódio as lesões do labrum e do osso tendem a aumentar. Por isso, depois da primeira luxação, vale uma avaliação com especialista em ombro para medir esse risco e discutir se a estabilização precoce faz sentido.
Acima dos 40 anos: atenção ao manguito rotador
Depois dos 40, a luxação volta menos, mas é comum romper junto os tendões do manguito rotador. O sinal típico é não conseguir levantar o braço depois que a dor da luxação já passou. Se duas a três semanas após a redução o braço continua sem força para subir, é preciso investigar com exame de imagem. A rotura traumática do manguito tem melhor resultado quando é reparada cedo.
Em qualquer idade: o nervo e o osso
- Dormência na parte de fora do ombro, na região de uma dragona, e dificuldade para abrir o braço podem indicar estiramento do nervo axilar. Na maioria das vezes ele se recupera ao longo de semanas a meses, mas precisa ser acompanhado;
- Fraturas associadas, como a do tubérculo maior ou da borda da glenoide, aparecem na radiografia e podem mudar o tratamento. Veja fraturas do ombro.
Quando a luxação precisa de cirurgia
A primeira luxação nem sempre precisa ser operada. A cirurgia entra quando o ombro volta a sair ou fica instável, quando o risco de nova luxação é alto (jovens em esporte de contato), quando existe rotura do manguito ou uma fratura que precisa ser fixada. As técnicas de estabilização, como o reparo de Bankart por artroscopia e o Latarjet, estão explicadas na página de instabilidade do ombro.
Se o ombro já saiu mais de uma vez, ou se você sente que ele "vai sair" em certos movimentos, não espere o próximo episódio. Cada nova luxação pode reduzir as opções de tratamento.