O labrum superior é a região da borda de cartilagem da articulação onde o tendão do bíceps se ancora dentro do ombro. A lesão SLAP — sigla em inglês para Superior Labrum Anterior to Posterior — é o descolamento dessa âncora, que se estende de anterior para posterior. É típica de atletas de arremesso e de esportes com o braço acima da cabeça, mas também acontece após tração súbita ou queda sobre o braço. No mesmo grupo entram a tendinopatia e a rotura do cabo longo do bíceps e, nos treinos de força, as lesões do peitoral maior.
Sintomas mais comuns
- Dor profunda na parte anterior do ombro, difícil de localizar com o dedo;
- Estalos, cliques ou sensação de travamento ao girar o braço;
- Dor na fase de armar o arremesso e perda de velocidade e precisão;
- Dor ao fazer supino, rosca ou carregar peso com o cotovelo esticado;
- Na rotura do cabo longo do bíceps, deformidade em "bola" no braço — o chamado sinal do Popeye.
Por que a lesão acontece?
No atleta de arremesso, o gesto repetitivo de armar e acelerar o braço torce a âncora do bíceps e descola progressivamente o labrum superior. Em não atletas, o mecanismo costuma ser agudo: uma tração súbita — segurar-se para não cair, puxar um objeto pesado — ou a queda sobre o braço estendido. Com o passar dos anos, o próprio envelhecimento do tendão produz alterações semelhantes, o que muda bastante a forma de tratar. Como o labrum também participa da estabilidade da articulação, algumas lesões se associam à instabilidade do ombro.
Bíceps proximal e peitoral maior
O cabo longo do bíceps percorre um trajeto dentro do ombro e é fonte frequente de dor anterior, por inflamação (tendinopatia) ou por rotura. Quando rompe, a dor inicial costuma melhorar e o músculo desce, formando o sinal do Popeye — uma alteração mais estética do que funcional na maioria das pessoas, diferente da rotura do bíceps distal, no cotovelo, que em geral exige reparo. Já a lesão do peitoral maior acontece tipicamente no supino, com dor súbita, hematoma e assimetria do peitoral, e nas roturas completas costuma se beneficiar de reinserção cirúrgica.
Dor súbita com estalo, hematoma ou mudança no contorno do braço ou do peitoral durante o treino merece avaliação precoce: nas roturas que precisam de cirurgia, o reparo tem melhor resultado nas primeiras semanas.
Diagnóstico
A avaliação começa pela história — o gesto que dói, o mecanismo do trauma — e pelo exame físico, com testes específicos para o labrum e para o bíceps. A radiografia ajuda a excluir outras causas. O exame de escolha para o labrum é a artro-ressonância (ressonância magnética com contraste dentro da articulação), que delineia o labrum superior e a âncora do bíceps com mais nitidez que a ressonância comum.
Tratamento
Tratamento conservador
É o ponto de partida em muitos casos, mesmo em atletas: controle da dor, fortalecimento do manguito rotador e da escápula, ganho de mobilidade em rotação e ajuste do gesto esportivo com a equipe de treinamento. Boa parte dos pacientes volta ao esporte sem cirurgia, e nas alterações degenerativas do labrum o tratamento conservador é, em geral, a melhor escolha.
Tratamento cirúrgico
Quando a dor persiste apesar da reabilitação bem feita, a cirurgia é realizada por artroscopia do ombro. O reparo SLAP, que reinsere o labrum com âncoras, é reservado principalmente a atletas jovens de arremesso. A tenodese do bíceps — fixar o tendão no úmero, fora da zona lesionada — é frequentemente preferida acima dos 35 a 40 anos, por aliviar a dor com recuperação mais previsível. Nas roturas completas do peitoral maior em pacientes ativos, indica-se a reinserção do tendão no úmero.
Recuperação
Após o reparo SLAP ou a tenodese, usa-se tipoia por algumas semanas e a fisioterapia avança em fases: primeiro mobilidade, depois força e, por fim, o gesto esportivo. O retorno às atividades do dia a dia é precoce; ao arremesso e aos treinos de força, o retorno é progressivo e costuma levar alguns meses, conforme o procedimento realizado e a resposta de cada paciente à reabilitação.