A luxação acromioclavicular — também chamada de separação ou disjunção acromioclavicular — é a lesão dos ligamentos que prendem a clavícula ao ombro. Acontece, em geral, após uma queda direta sobre a ponta do ombro, comum no ciclismo, no futebol e nas lutas, mas também em quedas do dia a dia. Conforme a gravidade, a ponta da clavícula perde o alinhamento e forma uma saliência no alto do ombro: a "clavícula saltada" que muitos pacientes descrevem.

Onde fica a articulação acromioclavicular

A articulação acromioclavicular (AC) fica no topo do ombro, entre a extremidade da clavícula e o acrômio, a porção da escápula que forma o "teto" do ombro. Os ligamentos acromioclaviculares envolvem a articulação e controlam sobretudo o deslizamento para a frente e para trás; os ligamentos coracoclaviculares, mais fortes, prendem a clavícula ao processo coracoide e impedem o desnível vertical. O grau da luxação depende de quais ligamentos se rompem — quando os dois conjuntos cedem, o peso do braço faz o ombro descer e a clavícula fica em evidência.

Não é luxação do ombro nem fratura da clavícula

Na luxação do ombro, a cabeça do úmero sai do encaixe na glenoide. Na fratura da clavícula, o osso se quebra. Na luxação acromioclavicular, o osso fica inteiro e a lesão está nos ligamentos do alto do ombro. Como as três surgem após quedas parecidas e podem causar deformidade visível, a radiografia é indispensável para diferenciá-las.

Sintomas: dor no alto do ombro e clavícula saltada

O mecanismo típico é o impacto direto sobre a ponta do ombro, com o braço junto ao corpo. Os sinais mais comuns são:

  • Dor bem localizada no alto do ombro;
  • Inchaço e, nos dias seguintes, mancha roxa;
  • Saliência ou "degrau" da clavícula, mais evidente nas lesões graves;
  • Dor ao elevar o braço, ao cruzá-lo sobre o corpo e ao deitar sobre o lado lesionado.

Nas lesões leves, o ombro pode ter aparência normal. Deformidade importante, dor muito intensa ou dormência no braço pedem atendimento imediato no pronto-socorro — veja quando a dor no ombro é emergência.

Graus da luxação acromioclavicular (classificação de Rockwood)

A classificação de Rockwood divide a lesão em seis tipos, conforme os ligamentos rompidos e a direção do desvio da clavícula:

  • Tipo I: estiramento dos ligamentos acromioclaviculares, sem desvio;
  • Tipo II: rotura dos ligamentos acromioclaviculares, com os coracoclaviculares preservados — a clavícula fica levemente desnivelada;
  • Tipo III: rotura dos dois conjuntos de ligamentos, com "degrau" nítido no alto do ombro;
  • Tipo IV: a clavícula se desloca para trás e fica presa na musculatura do trapézio;
  • Tipo V: forma mais grave do tipo III, com desvio acentuado para cima e lesão dos músculos que recobrem a articulação;
  • Tipo VI: rara, com a clavícula deslocada para baixo, em geral em traumas de alta energia.

Como saber o grau da luxação

O grau é definido na consulta, combinando o exame físico com as radiografias. Incidências específicas para a articulação acromioclavicular, muitas vezes comparadas com o ombro não lesionado, mostram quanto a clavícula se deslocou; o perfil axilar identifica o desvio para trás do tipo IV. A ressonância magnética ou a tomografia ficam para casos selecionados, como dúvida entre graus ou suspeita de lesões associadas.

Dor no alto do ombro ou clavícula "saltada" depois de uma queda merecem radiografia e avaliação especializada. Definir o grau cedo evita tratar como leve uma lesão que pode precisar de cirurgia.

Tratamento

Tipos I e II: em geral sem cirurgia

Tipoia por um período curto, controle da dor e fisioterapia para recuperar o movimento e fortalecer o ombro e a escápula, com retorno progressivo às atividades.

Tipo III: decisão individualizada

É o grau mais discutido. Muitos pacientes recuperam força e movimento com a reabilitação, mesmo mantendo a saliência. A cirurgia é considerada em trabalhadores braçais, atletas de arremesso ou de esportes com o braço acima da cabeça, lesões do braço dominante com alta demanda e quando a dor ou a instabilidade persistem apesar da fisioterapia. Às vezes, reavaliar o ombro após algumas semanas de reabilitação ajuda a decidir.

Tipos IV, V e VI: em geral cirúrgicos

Pelo grande desvio e pela lesão dos tecidos ao redor, a cirurgia costuma ser indicada. O objetivo é recolocar a clavícula no lugar e estabilizá-la com implantes enquanto os ligamentos cicatrizam, por via aberta ou com auxílio da artroscopia. Nas lesões crônicas, os ligamentos já não cicatrizam da mesma forma e pode ser necessário reconstruí-los com enxerto de tendão. A escolha da técnica é individualizada.

Quanto tempo dura a recuperação

Nas lesões leves, a dor costuma melhorar ao longo de algumas semanas. Após a cirurgia, o ombro fica protegido com tipoia por algumas semanas e a fisioterapia segue em fases — primeiro o movimento, depois o fortalecimento. Carregar peso, o trabalho pesado e o esporte são liberados ao longo de alguns meses, conforme a evolução de cada paciente.

Sequelas: a luxação acromioclavicular volta ao normal?

Nas lesões leves, a maioria dos pacientes recupera boa função, embora algum desconforto possa persistir por mais tempo. Nos graus mais altos, a função também costuma ser recuperada, mas algumas sequelas são possíveis:

  • Saliência da clavícula: no tipo III tratado sem cirurgia, o "degrau" tende a permanecer e costuma incomodar mais pela aparência do que pela função;
  • Dor residual: desconforto no alto do ombro ao carregar peso ou em atividades acima da cabeça;
  • Artrose acromioclavicular: pode surgir com os anos e é tratada como descrito em artrose do ombro;
  • Riscos da cirurgia: infecção, rigidez, dor persistente, perda parcial da correção ou incômodo com os implantes, que às vezes precisam ser retirados.