Tendinite no ombro é o nome popular da dor que nasce nos tendões do ombro. Na maior parte das vezes, quem sofre são os tendões do manguito rotador, que estabilizam e movimentam o ombro. Os especialistas costumam chamar o quadro de tendinopatia, porque ele envolve mais sobrecarga e desgaste do tendão do que inflamação propriamente dita. É uma das queixas mais frequentes no consultório de ombro, e a boa notícia é que, na grande maioria das vezes, melhora sem cirurgia.

Tendinite, bursite e impacto: qual a relação?

A bursa é uma pequena bolsa que reduz o atrito entre os tendões e o acrômio, o osso que forma o "teto" do ombro. Quando esse espaço fica apertado, ou quando os músculos não mantêm a cabeça do úmero bem centralizada, bursa e tendões são comprimidos ao elevar o braço: a bursa inflama (bursite) e os tendões sofrem (tendinopatia). Por isso "bursite" e "tendinite" costumam aparecer juntas no mesmo laudo. Em geral, são partes de um mesmo problema mecânico, detalhado na página sobre síndrome do impacto e bursite do ombro.

Sintomas: dor ao levantar o braço

  • Dor na face lateral ou anterior do ombro, que pode irradiar para o braço;
  • Arco doloroso: a dor aparece no meio do caminho ao levantar o braço e alivia no final do movimento;
  • Dor em atividades acima da cabeça — pentear o cabelo, estender roupa, alcançar prateleiras;
  • Dor à noite, principalmente ao deitar sobre o lado afetado;
  • Sensação de cansaço ou fraqueza do braço em tarefas repetitivas.

Por que a tendinite aparece?

Raramente há uma causa única. Os fatores mais comuns são a sobrecarga repetitiva com o braço acima da cabeça, no trabalho ou no esporte; o aumento rápido de carga ou de volume de treino; a fraqueza do manguito rotador e dos músculos que controlam a escápula; longas horas no computador com os ombros projetados para a frente; o formato do acrômio; e o desgaste natural do tendão com a idade.

Nem toda dor no ombro é tendinite

Outras condições causam dor parecida e pedem tratamento diferente:

  • Rotura do manguito rotador: quando o tendão rompe, a fraqueza para levantar o braço tende a ficar mais evidente, sobretudo nas roturas grandes ou nas que surgem depois de uma queda ou de um esforço brusco. Veja a lesão do manguito rotador;
  • Tendinite calcária: um depósito de cálcio dentro do tendão, que pode provocar crises súbitas de dor muito intensa, com o ombro quase travado. Saiba mais sobre a tendinite calcária;
  • Capsulite adesiva (ombro congelado): além da dor, o ombro vai perdendo movimento em todas as direções, inclusive quando outra pessoa tenta movê-lo. Entenda a capsulite adesiva;
  • Dor que vem do pescoço: piora ao virar ou inclinar a cabeça, costuma descer abaixo do cotovelo e pode vir com formigamento na mão. O artigo dor no ombro ou no pescoço explica como diferenciar.

Quando a tendinite no ombro é grave?

A tendinite em si não costuma ser urgência e pode ser investigada com calma, em consulta. Alguns sinais, porém, sugerem algo além dela e pedem avaliação com especialista sem adiar:

  • Fraqueza súbita para levantar o braço, principalmente depois de uma queda ou de um esforço brusco;
  • Dor que não melhora após algumas semanas de cuidados ou que tira o sono por várias noites seguidas;
  • Rigidez que vem piorando e limita cada vez mais o movimento;
  • Formigamento ou dormência que não passam, ou fraqueza progressiva no braço ou na mão.
Procure o pronto-socorro imediatamente se a dor no ombro vier com aperto no peito, falta de ar ou suor frio; se for súbita e muito intensa, sem explicação clara; se houver febre com o ombro quente e inchado; ou deformidade depois de uma queda.

Mais detalhes em quando a dor no ombro é emergência.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa na consulta: a história e os testes do exame físico costumam apontar o tendão que está sofrendo e afastar as outras causas. A radiografia mostra o formato do acrômio e eventuais calcificações; o ultrassom e a ressonância magnética avaliam a bursa e a integridade dos tendões — uma rotura muda a conduta.

O que é bom para tratar tendinite no ombro?

O tratamento é sempre individualizado, mas segue uma lógica: controlar a dor para que o ombro possa ser reabilitado.

Tratamento conservador: a base

Começa pelo ajuste temporário das atividades que provocam a dor. O objetivo não é parar de mexer o ombro: poupar o braço por muito tempo pode favorecer a rigidez. Na fase aguda, a medicação para dor segue orientação médica, sem automedicação prolongada. O centro do tratamento é a fisioterapia, com fortalecimento do manguito rotador, correção da postura e do ritmo da escápula e alongamento da cápsula posterior.

Na tendinite no ombro, o alvo não é só a dor, mas a mecânica do ombro: reequilibrar o manguito e a escápula é o que evita que ela volte.

Infiltração

Em casos selecionados, quando a dor impede a fisioterapia de avançar, a infiltração no ombro reduz a inflamação da bursa e abre uma janela de menos dor para os exercícios. Ela alivia, mas não corrige a causa, e não deve ser repetida em excesso no mesmo ombro.

Cirurgia: a última opção

Na tendinite sem rotura, a cirurgia é a última opção, para quando nada mais melhora: a dor persiste apesar de meses de tratamento conservador bem conduzido. Nesses casos, a artroscopia do ombro permite tratar a bursa, o acrômio ou o tendão, conforme o caso, por pequenos cortes. Se os exames mostrarem uma rotura do tendão, a conduta passa a ser a da lesão do manguito rotador.

Quanto tempo leva para curar uma tendinite no ombro?

Não existe um prazo único. Com o tratamento bem conduzido, a melhora costuma ser gradual, ao longo de semanas a poucos meses. O tempo varia conforme a duração da dor, a carga do trabalho ou do esporte, a regularidade dos exercícios e a presença de lesão associada no tendão. Quanto antes o ombro é examinado, mais simples tende a ser o tratamento. Depois da melhora, manter o ombro forte e progredir aos poucos no treino, como explica o artigo sobre musculação sem lesão no ombro, reduz a chance de a dor voltar.